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Em homenagem ao dia do escritor: Alphonsus de Guimaraens Filho

Andreia Donadon Leal I Mestre em Literatura pela UFV

Postado em 25/07/2020 às 17:00 |

Fachada Casa Alphonsus de Guimaraens (Foto: Coleção Márcio Lima)

Filho do grande poeta simbolista Alphonsus de Guimaraens, patrono das letras em Minas Gerais, Alphonsus de Guimaraens Filho nasceu em Mariana em 03 de junho de 1918 e faleceu no Rio de Janeiro em 28 de agosto de 2008.Teve sua formação escolar em Belo Horizonte, tendo concluído o Curso de Bacharelado em Ciências Jurídicas e Sociais na Faculdade de Direito da Universidade de Minas Gerais em 1940. No ano da formatura, 1940, publicou seu primeiro livro de poesia Lume de Estrelas, de claras influências simbolistas, com o qual foi laureado com o prêmio de Literatura da Fundação Graça Aranha e o prêmio Olavo Bilac da ABL. Confirmava-se aí que herdava do pai não só o nome, mas também a profissão e a poesia. Nada melhor para biografar o poeta do que através de sua poesia.

Como diz a música contemporânea popular brasileira Alphonsus Filho “chegou, chegando”. Sobre o livro Poesias (1946) Carlos Drummond de Andrade disse: A riqueza particular do livro residia na frescura e sutileza dessas falas de amor saudoso, em que o autor se comprazia, e nas quais sabia renovar a lição dos antigos, introduzindo na tessitura clássica do molde e do sentimento como que um arranjo moderno, de sensibilidade ao mesmo tempo profunda e errante, ávida de desvendar conexões novas entre o mundo do amor e o mundo natural. É por essa grandeza poética que Alphonsus de Guimaraens Filho foi merecedor dos seguintes prêmios, além daqueles recebidos pelo livro de estreia: 1951 - Prêmio Manuel Bandeira, pelo livro O Irmão, concedido pelo Jornal de Letras 1953 - Belo Horizonte MG - Prêmio de Poesia Cidade de Belo Horizonte, pelo livro O Mito e o Criador, concedido pela Prefeitura 1974 - Rio de Janeiro RJ - Prêmio Luísa Cláudio de Sousa, pelo livro Absurda Fábula, concedido pelo Pen Clube do Brasil 1976 - Rio de Janeiro RJ - Decreto denominando Lume de Estrelas uma rua no bairro do Méier 1985 - São Paulo SP - Prêmio Jabuti de Poesia, pelo livro Nó, concedido pela Câmara Brasileira do Livro. Fez carreira no jornalismo, iniciada em 1934 na rádio Inconfidência, onde exerceu o cargo de diretor auxiliar e em 1946 o cargo de diretor.

A consciência da responsabilidade do poeta é presente na obra de Alphonsus Filho, de reiteradas ofertas de si e de valorização da poesia como forma de construção de possibilidades de sentidos para a compreensão do mundo, das pessoas, das coisas e do cotidiano, especialmente quando se trata da complexa rede de valores que edificam os sentimentos, entre os quais está, em destaque, o amor. Observador do mundo, observador do cotidiano, o poeta se engrandece e se superpõe ao cidadão, ao jurista ao jornalista e toma-se de sensibilidade e afeto. A grande lição modernista é a de dispor na poesia qualquer tema através de qualquer palavra. Quebra-se o mito da palavra poética, aquela eleita e própria para a poesia. Toda palavra torna-se palavra poética, quando tomada com poesia, quando cadenciada numa sequência poética. Coisas do cotidiano de uma casa podem figurar como seres da poesia, dispostos sobre a mesa, tolha, talheres, pão e café dizem coisas que nos afetam na vida social.

Através do relevante legado literário de Alphonsus de Guimaraens Filho, sintam-se todos os escritores homenageados neste dia.  

[Andreia Donadon Leal ocupa a cadeira de n. 09, cujo patrono é Alphonsus de Guimaraens Filho, na Academia Marianense de Letras.]


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