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Poesia

No Mar Daqueles Olhos

Confira a poesia de Junio Liberato - estudante de Turismo da UFOP

Postado em 07/07/2020 às 15:01 |

(Foto: Pixabay)

Eu sempre fui fascinado por olhares, principalmente por aqueles que rompem inesperadamente o silêncio e as barreiras que o medo e a insegurança nos impõem, se perpetuando por alguns instantes, mas tocando a alma por tempo indeterminado, é esse o nível de fascínio que o mundo precisa aprender a enxergar. Olhares não podem de modo algum passar desapercebidos, seria um erra deixar que isso ocorresse. Declaro minha paixão por esta forma muda, porém rara de expressar angústias e emoções diversas que palavras inanimadas não são capazes de proclamar, nem oralmente nem por extenso. Sou fissurado por eles, assim como um marinheiro é apaixonado pelo mar ou, as borboletas pelas flores, entretanto, tudo isso vai muito além de um sentimento superficial que o tempo é capaz de levar embora bem como o vento forte faz com as plumas e as leves sementes de um frágil dente-de-leão. O olho humano é uma criação maravilhosa, tanto em função quanto em composição, e são muitos os problemas que o acometem: astigmatismo, miopia, hipermetropia, etc. Todavia, o preconceito por exemplo, se caracteriza como sendo o pior deles, por se tratar de uma visão limitada que alguém tem de outro alguém, e não é capaz de enxergar através daquilo que vê, e por isso, distingue as pessoas com uma visão distorcida, como se julgar fosse uma tarefa que cabe a nós.

 Quantas vezes não me vi perdido em um par de olhos, cujas cores me remetiam a lembranças e sensações das quais eu desejaria nunca me esquecer, ou ter simplesmente que me contentar apenas com as lembranças e por consequência, sentir saudades. Eu posso me recordar de muitas e ficar por horas a fio descrevendo e relatando estas doces memórias que aquecem minha alma, mas não vou, prefiro guardá-las apenas para mim, certas recordações são pertences muito pessoais, e deste modo, devem ser mantidas na confidencialidade. São muitas, mas algumas me recordo com maior carinho e tenho para com elas certo zelo, já que boas lembranças são como heranças recebidas do tempo, e assim sendo, devemos resguardá-las de todo mal para que durem e permaneçam intactas. Sou um bom colecionador de memórias, embora tenha encontrado dificuldades em virar algumas páginas da minha história e aceitar que era o fim de mais um capítulo, como no final de uma novela chorei, mas era preciso que meus olhos condessassem toda aquela emoção para que eu pudesse prosseguir a minha vida, fazendo uso daqueles momentos como escudos para me defender de futuras armadilhas e artimanhas da vida, mas apesar de toda esta melancolia, sempre havia um olhar que vinha em meu auxílio e se compadecia dos meus lamentos, fazendo com que eu me sentisse novamente capaz de me reerguer como a fênix que renasce das cinzas.

 Sentia renascer mais uma vez minha esperança, quando estava debruçado por sobre uma velha janela de madeira admirando a imensidão e a beleza daquele céu típico dos fins de tarde. Imaginei por um instante a intensidade com que aquele olhar me impactou, me sentia flutuante no interior deles, pendente como um astronauta em meio ao negro vazio na imensidão do universo, na busca por desvendar seus segredos, num olhar ao qual me joguei sem hesitar. E ali, imerso naquela orbe, percebi que existem ligações e conexões sem fio que nos transformam sem que seja necessário antes de tudo haver um toque, uma troca de palavras, ou qualquer interação que seja, nenhuma delas pode ser mais impactante ou fascinante do que a troca de olhares. O olhar é o endereço fixo da sinceridade, e não há como esconder quem você é ou quais as suas verdadeiras intenções quando encarado olho no olho, eles são como pequenas vitrines que deixam à mostra sua alma. Confesso que aqueles olhos me transmitem paz, e é neles que os meus se perdem na intenção de se encontrarem. Agora, me vejo totalmente dependente daquela energia tão rara e sedutora, minhas noites de sono já não são mais as mesmas desde aquele contato olho a olho que tivemos, me sinto completamente diferente, não sou mais o mesmo, porque sempre que olhamos nos olhos de alguém, ele leva consigo embora uma parte de nós, ou deixa uma parte de si conosco.

 Ainda debruçado na janela sob custódia de meus próprios pensamentos, enfim desperto novamente para o mundo real onde as coisas não são regidas por uma mágicas, mas sim segredos e métodos eficazes e lógicos, e abrindo então os olhos me dei conta de que já havia me perdido noite adentro, a lua cheia de luz clara e suave refletia a sombra de minha silhueta na parede branca do quarto pouco iluminado. Foram longas horas que fiquei ali parado, pensando na beleza daqueles olhos e até hoje, não sei dizer com plena certeza se eu adormeci, ou se apenas fiquei mergulhado em pensamentos profundos, imerso na vastidão do meu imaginário, entretanto eu estava protegido, porque são em momentos assim que eu escapo desta louca realidade em que vivo, deixando cair um pouco no esquecimento o mundo que me envolve e toda a maldade que o acompanha.

 Sim, talvez eu esteja apaixonado, por que não? Quem sabe para alguns pareça um convite ao suicídio se apaixonar? E talvez, para outros ainda esteja cedo demais para se entregar e deixar o coração em jogo novamente, enfim, nunca se sabe, cada um possui suas razões. O que sei, é que por fim declaro precisar com certa impaciência que o coração não é capaz de controlar, que quero ou preciso, (não sei bem definir, sentimentos são confusos) despertar toda manhã olhar pro lado e ter não apenas aqueles olhos, mas também a dona deles acordando, linda e meiga como uma princesa despertando do sono, e ainda sonolenta me dizendo: bom dia meu amor! Me dou ao capricho de imaginar e viajar em delírios que nem sempre são possíveis de transformar em algo real, quem dera todo desejo impossível pudesse de alguma forma quebrar a ordem natural das coisas e se realizar, bom, a ciência ainda não é capaz de nos permitir tal feito, talvez, nem chegue a alcançar tal façanha, contudo, quem sabe um dia possamos ser mais maduros e abertos para as pessoas certas, e enfim aqueles desejos que parecem ser impossíveis ou até mesmo loucura da nossa cabeça, venham a se realizar. De repente, não são eventos improváveis, apenas estão faltando oportunidades por parte de alguém que se fechou completamente para o mundo exterior dentro de seu próprio mundo interior, não por medo, mas sim por pavor de sofrer os horrores que passou nas mãos de outro alguém, pois é como diz o ditado: os justos pagam pelos pecadores.


Este texto foi produzido pelo poeta Júnio Liberato, não sendo de redação do Portal da Cidade e, deste modo, pode não representar as opiniões da empresa.


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