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PATRIMÔNIO

Obra do século XVIII é descoberta em Igreja de distrito de Mariana

Pintura, que traz traços dos movimentos Barroco e Rococó, foi encontrada em templo de Cachoeira do Brumado

Postado em 17/07/2019 às 10:41 |

(Foto: MARCELO CARDOSO l PREFEITURA DE MARIANA)

Em processo de restauro desde 2016, a Matriz de Nossa Senhora da Conceição revelou uma pintura datada do século XVIII, mesma época da finalização da construção do templo. Ela está localizada na parte superior do retábulo de São Miguel, no altar lateral direito da Matriz, e encontrava-se sob duas camadas de repintura, uma do final do século XIX e a última de 1945.

A pintura foi descoberta pelas restauradoras Sandra Godoy e Adenice Souza. Sandra explica que o trabalho se encontrava em procedimento de desmonte e restauro do arco cruzeiro, raspagem e recuperação dos primeiros revestimentos feitos nos púlpitos e retábulos laterais, quando descobriram, inesperadamente, os primeiros vestígios do desenho. “Quando começamos o procedimento do lado esquerdo, descobrimos que, antes da realização da repintura, foi feita toda a remoção de uma pintura original, e já esperávamos que acontecesse o mesmo do outro lado. Quando passamos para o lado direito, no início da remoção, nós já fomos notando resquícios da original, que provavelmente era a mesma que havia no lado esquerdo. À medida que íamos removendo, ela ia aparecendo”.

Para Adenice, não há prazer maior que o da descoberta. “Nós buscamos, sempre, encontrar e recuperar alguma coisa, mas quando não é possível, tudo bem. E a emoção da revelação de uma policromia concreta é muito gratificante, ainda mais que estávamos em procedimento final. Era a última etapa, então não esperávamos mesmo encontrar algo ali”. A restauradora reforça, ainda, o entusiasmo em entregar um templo restaurado à comunidade, ainda mais com tantas descobertas. “É uma das melhores partes do processo. As pessoas passaram a vida toda vendo uma composição e, quando restaura, elas não acreditam que havia tanta beleza escondida”, ressalta.

Rafael Cruz, restaurador que também integra a equipe, dá detalhes da pintura. “Trata-se de uma obra de 1750, período marcado pela transição do Barroco para o Rococó. Ela é composta por desenhos de romãs - símbolo da imaginária sacra daquela época - rocalhas, folhas de acanto e uma voluta envolta por elementos florais. Sua policromia foi afetada pelo tempo e a estrutura conta com galerias de cupins. A partir de agora passará por um processo de recuperação e preservação de seus elementos artísticos”, conta.

A Matriz, que já passou por restauração em seu altar mor e nos altares laterais, com um investimento de cerca de R$ 350 mil, está agora na segunda de três etapas desse processo de restauro, que deve ser finalizado em até agosto de 2019. Dessa vez, estão sendo investidos mais de R$ 190 mil, repassados do Fundo Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural (FUMPAC), por deliberação do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Mariana (COMPAT). O templo permanece aberto à visitação e à comunidade.


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