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Saúde Pública

Mariana lança programa com sensores para crianças com diabetes tipo 1

Tecnologia reduz picadas diárias, amplia a segurança no tratamento e beneficia crianças atendidas pela rede pública de saúde.

Publicado em 23/07/2026 às 10:29

Mariana passa a oferecer sensores de monitoramento contínuo da glicose para crianças com diabetes tipo 1, tornando o tratamento menos invasivo e mais seguro. (Foto: Prefeitura de Mariana)

Iniciativa da Secretaria Municipal de Saúde oferece sensores que eliminam a necessidade de múltiplas picadas diárias e ampliam a precisão no controle da doença

A Prefeitura de Mariana, por meio da Secretaria de Saúde, realizou nesta terça (21), o lançamento do Programa de Monitoramento Contínuo da Glicose, voltado a crianças de 2 anos a 12 anos, 11 meses e 29 dias diagnosticadas com Diabetes Mellitus Tipo 1 (DM1). O evento de lançamento ocorreu no Centro de Convenções, reunindo autoridades municipais, profissionais da saúde e famílias atendidas pela rede pública de saúde. O objetivo do programa é ampliar o acesso a tecnologia de ponta no acompanhamento da doença, reduzindo a rotina de punções diárias e proporcionando um controle mais preciso dos níveis glicêmicos.


Como funciona o programa

O Programa disponibiliza sensores que medem os níveis de glicose no sangue de forma contínua, sem a necessidade das tradicionais picadas no dedo realizadas várias vezes ao dia para o controle da diabetes. A tecnologia permite que crianças e famílias acompanhem as variações glicêmicas em tempo real, favorecendo decisões mais rápidas e seguras sobre alimentação, aplicação de insulina e rotina diária.

O acesso segue um fluxo estabelecido pela Secretaria de Saúde. Quem ainda não é acompanhado por endocrinologista deve procurar a Unidade Básica de Saúde de referência e solicitar o encaminhamento. Na consulta, o profissional realiza a avaliação clínica e preenche o requerimento para solicitação do sensor. Em seguida, a documentação exigida é apresentada na farmácia de referência, e a Secretaria verifica se os critérios do protocolo foram cumpridos. 

Aprovado o pedido, o paciente recebe os dispositivos e é orientado sobre o uso correto do equipamento, permanecendo sob acompanhamento da equipe de Atenção Primária à Saúde, com renovação do benefício a cada seis meses.

Para o endocrinologista Lucas Diniz, responsável pelo acompanhamento de pacientes do programa, a iniciativa representa avanço e cuidado com crianças que convivem com DM1: “É um passo revolucionário no tratamento do diabetes. Só quem tem um filho com diabetes sabe o que é o medo da hipoglicemia, principalmente durante a madrugada, é o grande pavor dos pais. Poder monitorar a glicose sem a picada no dedo traz tranquilidade para as famílias. E não é só o conforto de não furar o dedo: o monitoramento contínuo reduz episódios de hipoglicemia e melhora a hemoglobina glicada desses pacientes em torno de 0,6, o que, ao longo dos anos, representa um risco menor de complicações.”

Têm direito ao benefício crianças residentes em Mariana e com cadastro ativo na Unidade Básica de Saúde de referência, na faixa etária de 2 anos a 12 anos, 11 meses e 29 dias, com diagnóstico confirmado de Diabetes Mellitus Tipo 1 e laudo médico emitido pelo SUS. A partir dos 4 anos, também é exigida a comprovação de matrícula em instituição de ensino do município.

O monitoramento contínuo é considerado um avanço relevante no cuidado com crianças que convivem com DM1, condição que exige atenção constante para evitar picos ou quedas bruscas de glicose. Ao reduzir o número de punções diárias, a tecnologia contribui para o conforto físico das crianças e para uma rotina de tratamento menos invasiva.


Presente no evento, Roberta Castro, que vive com diabetes tipo 1 há quase três décadas, dividiu sua experiência com o público: “Tenho diabetes tipo 1 desde os 7 anos de idade e hoje tenho 34. Já passei por muita coisa. Quando descobri a doença, o controle ainda era feito com insulina suína e teste de urina, sem toda a estrutura que temos hoje. Sempre furei o dedinho para medir a glicemia, muito mais de quatro vezes por dia. É um tratamento eficaz, mas doloroso. Quando a gente fura o dedo, é aquele resultado daquele momento; com o sensor, que uso desde 2020, tenho todo o histórico e consigo entender o impacto da minha alimentação, ajustando a insulina com mais segurança. Hoje durmo tranquila, pratico atividade física e sei que, se a glicose cair ou subir, o aparelho vai avisar. É qualidade de vida, é segurança e é liberdade para quem tem diabetes e para as famílias.”

Jaqueline Flausino, mãe de Isadora Flausino, atendida pelo programa, relatou o impacto do diagnóstico e da nova tecnologia na rotina da família: “Minha filha foi diagnosticada com diabetes tipo 1 em 2022, com 7 anos. Foi um baque muito grande para a nossa família, a gente não conhecia, não sabia o que era o diabetes. É uma luta diária, e não são cinco, seis, sete picadas por dia: são muito mais do que isso para manter um controle glicêmico dentro do limite, mesmo com muito medo. O sensor de monitoramento contínuo é mais avançado: além do aparelho que faz a leitura, os pais também têm acesso às informações pelo aplicativo no celular. Por diversas vezes passei muito aperto sem saber como estava a glicemia da minha filha na escola ou na casa de algum coleguinha. Sem dúvida, o sensor traz muito mais autonomia, segurança e qualidade de vida para quem tem diabetes tipo 1, seja criança ou adulto.”

Para dar entrada, é necessário apresentar laudo médico preenchido pelo endocrinologista, prescrição médica, comprovante de residência, declaração de matrícula escolar (para crianças a partir de 4 anos) e cartão do SUS e CPF, originais e cópias. O benefício é renovado a cada seis meses, mediante nova prescrição e laudo médico atualizados, além dos demais documentos.

Famílias de crianças com Diabetes Mellitus Tipo 1 que se enquadrem nos critérios estabelecidos podem buscar mais informações sobre o cadastro no Programa de Monitoramento Contínuo da Glicose na Unidade Básica de Saúde de referência ou junto à Secretaria Municipal de Saúde de Mariana.

Fonte: Prefeitura de Mariana - Assessoria de Comunicação

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