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MEMÓRIA E JUSTIÇA

Onze anos após tragédia de Mariana, atingidos seguem cobrando reparação e direitos

Atos em Mariana marcam a data do rompimento da barragem de Fundão e reforçam a luta das comunidades por justiça, memória e reparação integral.

Publicado em 05/11/2026 às 09:18

Onze anos depois, Mariana transforma memória em luta por justiça e reparação (Foto: Site Memórias da Mineração)

Onze anos após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, a memória da tragédia permanece viva nos territórios atingidos e na luta de milhares de pessoas que ainda reivindicam reparação. Nesta quinta-feira, 5 de novembro, a data será marcada por atos de homenagem às vítimas, manifestações e mobilizações que colocam em evidência as consequências ainda enfrentadas pelas comunidades.

O rompimento ocorreu em 5 de novembro de 2015, no distrito de Bento Rodrigues, e provocou uma das maiores tragédias socioambientais da história brasileira. Mais de uma década depois, os impactos continuam presentes na realidade dos atingidos, especialmente nas questões relacionadas à saúde, ao meio ambiente e aos modos de vida das populações afetadas.

A programação deste ano reúne atividades organizadas por movimentos sociais, entidades e representantes das comunidades atingidas, com iniciativas voltadas à preservação da memória, à valorização dos territórios e à cobrança pelo cumprimento dos direitos das vítimas.

Atos marcam a data em Mariana

As atividades desta quinta-feira começam às 10h, com um momento solene promovido pela Comissão de Atingidos e Atingidas pela Barragem de Fundão, no território de origem de Bento Rodrigues. A iniciativa busca homenagear as vítimas e reafirmar a importância da memória coletiva na luta por justiça e reparação.

Às 16h, a Praça Gomes Freire, no centro de Mariana, recebe o ato Toque da Sirene, organizado pelo jornal A Sirene. A mobilização representa um momento de reflexão sobre os acontecimentos de 2015 e a permanência das reivindicações das comunidades atingidas.

Na sequência, às 16h10, está prevista a reabertura do Bar da Sandra, no reassentamento de Bento Rodrigues, iniciativa que também integra a programação comemorativa.

Reparação ainda é uma reivindicação central

Mesmo após onze anos, as comunidades atingidas afirmam que a reparação ainda não corresponde à dimensão dos danos provocados pelo rompimento.

Entre as principais reivindicações estão a participação efetiva das pessoas atingidas nas decisões relacionadas aos processos de reparação e a continuidade do acompanhamento por meio de assessorias técnicas independentes.

A mobilização também chama atenção para a necessidade de garantir que as medidas de reparação considerem não apenas os prejuízos materiais, mas também os danos ambientais, sociais, culturais e as transformações impostas à vida das comunidades.

A permanência dessas reivindicações demonstra que o encerramento de etapas administrativas ou a formalização de acordos não representa, necessariamente, a superação dos impactos vivenciados pela população.

Programação se estende durante todo o mês

As atividades relacionadas aos onze anos do rompimento também incluem exposições, iniciativas ambientais, encontros, debates e manifestações culturais em Mariana, Ouro Preto e Belo Horizonte.

Em Ouro Preto, a programação começou no dia 3 de novembro, com a exposição fotográfica Entre Minas, de Wilson da Costa, na sede da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). A mostra permanece aberta até o dia 13.

No dia 4, houve distribuição de mudas na rodovia MG-262, em frente à Escola Família Agrícola Paulo Freire.

Já no sábado, 7 de novembro, às 8h, o reassentamento de Paracatu de Baixo recebe a exposição Paracatu não esquece: da memória à luta.

Outro destaque está previsto para o dia 14 de novembro, às 9h, no Clube Marianense, com um encontro que marca os dez anos da Assessoria Técnica Independente da Cáritas em Mariana.

A programação inclui ainda debates sobre mineração e cobertura jornalística, exibição de filmes, apresentações culturais e lançamentos de livros, com atividades previstas até 26 de novembro.

Uma história que não pode ser esquecida

Onze anos depois, a data ultrapassa o caráter de uma lembrança histórica. Para as comunidades atingidas, representa a continuidade de uma luta por reconhecimento, dignidade, participação e reparação.

A memória das vítimas e a preservação da história dos territórios destruídos permanecem como elementos fundamentais para que os acontecimentos de 2015 não sejam esquecidos e para que as reivindicações das famílias continuem presentes no debate público.

Em Mariana, a passagem de mais um ano reafirma uma mensagem que atravessa gerações: a reparação não pode ser apenas uma promessa. Precisa se traduzir em direitos efetivamente garantidos e em mudanças concretas na vida de quem sofreu as consequências da tragédia.

Fonte: Fonte de referência: Rádio Itatiaia. Informações complementares: programação divulgada pela organização dos movimentos de atingidos.

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