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JUSTIÇA SOCIAL

Simulação de tortura em pelourinho de Mariana gera revolta e denúncia de racismo

Vídeo mostra turistas encenando castigos em monumento histórico; vereador critica "fetichização da dor" e desrespeito à memória da população negra em Minas

Publicado em 22/04/2026 às 14:17

Turistas se reúnem em praça histórica da cidade de Mariana (MG) e simulam açoitamento (Foto: Emily Pereira)

O feriado de Tiradentes em Mariana, cidade ícone do circuito histórico mineiro, foi marcado por um episódio que despertou indignação e reacendeu o debate sobre o limite entre o turismo e a banalização do sofrimento histórico. Um grupo de turistas foi flagrado na Praça Minas Gerais simulando cenas de açoitamento junto ao pelourinho local, monumento que remonta ao período da escravidão no Brasil.

Em vídeos que circulam nas redes sociais, é possível observar uma mulher posicionada junto à estrutura enquanto solicita, em tom de brincadeira: “Me bate!”. Ao redor, outras pessoas registram a cena com celulares e riem da encenação.

A atitude foi prontamente denunciada pelo vereador Pedro Sousa (PV). Para o parlamentar, o episódio não é um fato isolado, mas reflete uma postura de desrespeito recorrente com o patrimônio e com a história da cidade. “Pessoas que se sentem à vontade para gravar vídeos imitando a realidade vivida por pessoas escravizadas ferem a dignidade de um povo que foi sequestrado de seu continente e aqui sofreu marcas profundas”, afirmou Sousa.

Memória e Patrimônio

O pelourinho original de Mariana era o local oficial onde pessoas escravizadas e condenados eram submetidos a castigos físicos públicos, simbolizando o poder da autoridade colonial. A estrutura atual, reconstruída na década de 1960, serve como um memorial da resistência e do passado da região.

Nas redes sociais, internautas classificaram a conduta como "racismo recreativo". Comentários enfatizam que o sofrimento alheio jamais deveria ser convertido em entretenimento. O vereador Pedro Sousa ressaltou que a história de Mariana foi construída com o sacrifício de mãos negras e que comportamentos carregados de estereótipos não são bem-vindos na cidade.


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Até o momento, os turistas envolvidos não foram identificados. O caso levanta discussões sobre a necessidade de novas regulamentações para a preservação simbólica de monumentos que carregam o peso da história nacional.

Fonte: Portal da Cidade Mariana

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