Educação Quilombola
Escola Municipal de Campinas é reconhecida oficialmente como quilombola
Lei sancionada em Mariana fortalece a educação antirracista, valoriza a cultura local e reconhece a identidade da Comunidade Quilombola Barreto-Campinas.
Publicado em 25/06/2026 às 18:03
A Escola Municipal de Campinas, localizada no subdistrito de Águas Claras, passa a integrar oficialmente a rede de escolas quilombolas de Mariana. A lei que reconhece a instituição foi sancionada na manhã da última sexta-feira (19), durante cerimônia realizada na própria escola, após aprovação unânime do projeto pela Câmara Municipal.
O reconhecimento é resultado de uma iniciativa do Executivo Municipal e representa um importante avanço na valorização da educação pública e da identidade da Comunidade Quilombola Barreto-Campinas. Para que uma instituição de ensino seja reconhecida como escola quilombola, é necessário atender, em sua maioria, estudantes quilombolas e estar situada em território certificado pela Fundação Cultural Palmares.

A certificação do subdistrito de Campinas ocorreu em junho de 2025, juntamente com o subdistrito de Barreto, no município de Barra Longa, consolidando oficialmente a Comunidade Quilombola Barreto-Campinas.
Com a nova classificação, a escola passa a desenvolver um currículo alinhado às Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Quilombola, promovendo o reconhecimento da ancestralidade, da memória coletiva, dos saberes tradicionais e das manifestações culturais que fazem parte da história da comunidade.
Embora o reconhecimento seja recente, a valorização da cultura quilombola já fazia parte da rotina da instituição. A cerimônia foi aberta pela apresentação do grupo de Congado Mirim da escola, evidenciando a força das tradições afro-brasileiras preservadas no território. A comunidade também mantém viva a Folia de Reis de Nossa Senhora Aparecida, manifestação cultural fundada na segunda metade da década de 1980 e reconhecida como patrimônio da identidade local.

Durante a solenidade, a líder quilombola Roberta Alves destacou que a conquista representa o resultado da mobilização e da resistência da comunidade ao longo dos anos. Já o coordenador da ATI Cáritas em Mariana, Vittor Policarpo, ressaltou a importância da luta coletiva pela permanência da escola no território e pelo fortalecimento dos direitos da população quilombola.
A assinatura da lei reuniu autoridades municipais, representantes da comunidade escolar e moradores, entre eles a estudante Maria Gonçalves Patrício, representando os alunos, e Ageu Simão, morador mais antigo da comunidade.

Na ocasião, o prefeito municipal e o secretário de Educação reafirmaram o compromisso da administração em ampliar políticas públicas voltadas à valorização da identidade quilombola, ao fortalecimento da cultura local e à promoção de uma educação cada vez mais inclusiva e representativa.
Segundo a Secretaria de Educação, o reconhecimento da escola foi tratado como prioridade desde que a demanda foi apresentada pela comunidade. A medida reforça o compromisso do município com a valorização da história, da diversidade cultural e da construção de uma educação que respeita e fortalece as raízes do povo quilombola.
Fonte: Assessoria de Comunicação - Prefeitura de Mariana
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