XADREZ
Alunos de Furquim se destacam no xadrez e levam Mariana ao cenário nacional
Lígia Colen, de 13 anos, conquistou vaga nos Jogos Escolares Brasileiros, enquanto Michel Júnior também acumulou bons resultados no JEMG.
Publicado em 26/08/2026 às 16:12
Aos 13 anos, Lígia Colen Lôbo Silame e Michel Júnior dos Anjos da Silva já acumulam resultados expressivos no xadrez e levam o nome de Mariana a importantes competições escolares. Alunos da Escola Estadual Monsenhor Morais, no distrito de Furquim, os dois atletas vêm se destacando ao longo do ano nas etapas microrregional, regional e estadual dos Jogos Escolares de Minas Gerais (JEMG).
O trabalho conta com o apoio e a mentoria do professor de Educação Física Miguel Magalhães Neto, que há cerca de dois anos acompanha o desenvolvimento dos jovens enxadristas. A evolução foi significativa: Lígia conquistou o vice-campeonato estadual e garantiu vaga nos Jogos Escolares Brasileiros (JEB), enquanto Michel também alcançou resultados importantes em todas as etapas da competição.
Na fase microrregional do JEMG, que reúne estudantes de Mariana, Acaiaca, Diogo de Vasconcelos, Itabirito e Ouro Preto, os atletas enfrentaram partidas rápidas, com apenas dez minutos de reflexão para cada jogador. Após conquistarem o primeiro lugar em suas categorias, Lígia e Michel avançaram para a etapa regional.
Para Miguel, os resultados conquistados pela escola naquela fase evidenciam a força do trabalho desenvolvido em Furquim. Das 12 vagas disponíveis para a etapa regional, considerando as categorias masculina e feminina dos módulos I e II, seis foram conquistadas por estudantes da Escola Estadual Monsenhor Morais.
A cada nova etapa, porém, os desafios aumentavam. Segundo Michel, a preparação e as estratégias precisavam ser adaptadas, especialmente em razão das mudanças no tempo disponível para cada partida. Na etapa regional, por exemplo, os jogadores passaram a contar com 20 minutos de reflexão.
Foi nessa fase que os dois atletas confirmaram o bom momento. Em seis partidas disputadas, Lígia venceu todos os confrontos e conquistou o título regional. Michel terminou na terceira colocação, com cinco vitórias em seis jogos. Os dois, então, garantiram presença na etapa estadual.
Desafio estadual e sonho nacional
A etapa estadual foi considerada pelos três entrevistados como o momento mais desafiador da trajetória. Novamente em seis partidas, Michel conquistou três vitórias e terminou a competição na 17ª colocação. Lígia, por sua vez, venceu cinco confrontos e ficou com o vice-campeonato estadual, resultado que lhe garantiu uma vaga nos Jogos Escolares Brasileiros.
Apesar da conquista, a jovem atleta admite que deixou a competição com um sentimento de frustração por não ter alcançado o primeiro lugar.
“Foi bom, mas na hora eu fiquei triste, porque só o professor da pessoa que ficou em primeiro lugar iria para o nacional. No caso, o Miguel não iria comigo. Aí fiquei triste por isso. Preferia ter ficado em primeiro lugar.”
Agora, a expectativa está voltada para a competição nacional. Lígia afirma que seu objetivo inicial é ficar entre as 20 melhores do país, enquanto o professor acredita que a atleta tem potencial para alcançar resultados ainda mais expressivos.
“Para mim, chegar ao nacional já é algo extraordinário. Passar da estadual é muito difícil”, destaca Miguel.
Mas Lígia sonha mais alto: “Quero ser campeã nacional e participar de outras competições.”
Uma paixão que começou cedo
A relação dos jovens com o xadrez começou ainda na infância e, de diferentes formas, sempre esteve ligada à descoberta de um novo desafio. Lígia aprendeu os primeiros movimentos das peças com os pais, antes de aprofundar seus conhecimentos na escola com o professor Miguel.
Depois de um período afastada do jogo, ela voltou a treinar motivada por uma disputa familiar e decidiu levar a modalidade mais a sério. “Minha irmã ficou com ciúmes e começou a treinar. Eu pensei: ‘não vou ficar sozinha, né?’. Então comecei a treinar também e levei a sério”, relembra.
Michel teve o primeiro contato com o xadrez por meio dos irmãos. No início, não demonstrava tanto interesse, mas a prática e os treinos mudaram sua relação com o esporte.
“Meus irmãos já jogavam e me ensinavam. No começo eu não tinha tanto interesse, mas depois que comecei a treinar percebi que era divertido”, conta.
O próprio professor Miguel também conheceu o xadrez ainda criança, por meio de um videogame. O interesse cresceu quando ouviu de um amigo que o jogo “deixava a pessoa inteligente”. Durante a faculdade, afastou-se da modalidade, mas voltou a praticá-la depois de formado, inicialmente com o objetivo de aprender mais para ensinar seus alunos.
Xadrez como ferramenta de desenvolvimento
Mais do que títulos e medalhas, os três destacam os benefícios que o xadrez proporciona no dia a dia. Entre as habilidades desenvolvidas estão o raciocínio lógico, a concentração, a interpretação, a tomada de decisões e até mesmo o desempenho escolar.
Na Escola Estadual Monsenhor Morais, o xadrez não faz parte de uma disciplina específica, mas encontra espaço na rotina dos estudantes. Nos intervalos e horários de almoço do ensino integral, os jovens aproveitam o tempo livre para jogar online, estudar estratégias e desafiar os colegas.
A dedicação dos últimos dois anos coincide com a evolução dos resultados conquistados por Lígia e Michel, que agora projetam novos desafios. Além do sonho de conquistar títulos nacionais, os estudantes também aspiram a alcançar reconhecimentos como Mestre Nacional e, futuramente, Grande Mestre — objetivos que exigem uma dedicação cada vez maior à modalidade.
Para Miguel, o talento de jovens como Lígia e Michel mostra o potencial do xadrez no Brasil, mas também reforça a necessidade de ampliar o incentivo ao esporte.
Segundo o professor, a criação de políticas públicas e o fortalecimento de projetos voltados à modalidade são fundamentais para que mais atletas tenham oportunidades de se desenvolver e, no futuro, possam até mesmo viver do xadrez.
Antes dos próximos grandes desafios, Lígia, Michel e outros estudantes de Mariana também estarão em ação nos Jogos Escolares de Mariana, representando suas escolas no xadrez e em diferentes modalidades. Em meio a estratégias, relógios e movimentos calculados, os jovens de Furquim seguem provando que grandes sonhos também podem nascer no tabuleiro.
Fonte: Assessoria de Comunicação - Prefeitura de Mariana
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